terça-feira, 4 de dezembro de 2012

METADE ARRANCADA



A natureza é sábia, mas não prepara a gente para a morte de um filho. Nada explica a imensidão silenciosa que perpetua para o resto da vida.
Damos a luz ao nosso rebento. Este pequeno ser cresce num piscar de olhos e mesmo assim jamais deixará de ser uma criança para nós, pais.
Vivemos intensamente cada segundo de sua vida, cada conquista, cada fracasso.  Elaboramos sonhos sem pedir permissão. Não precisa, somos pais.
Quem tem este direito de arrancar a criança dos nossos braços sem pedir licença, sem permissão?
Daqui para frente nada terá o mesmo sabor, a mesma sensação, a mesma cor. Perde-se o encanto, os olhos nunca mais brilharão do mesmo jeito.
Hoje foi um dia triste. Melancólico. Surreal. O sol brilhava. Céu de brigadeiro. Eu só enxergava tudo cinza. Um nevoeiro em minha mente e no meu coração.
Como entender a morte de uma jovem com a vida pela frente de uma forma tão violenta? Qual o tamanho da angústia desta menina? Nunca ninguém poderá saber ou se quer imaginar. Seria leviano tecer qualquer comentário ou imaginar o motivo. Mas dá para sentir uma dor física no meio do peito. Estrangulada. Cruel. Impiedosa.
Tendo filhos, tento me colocar no lugar da mãe. Muita pretensão da minha parte. Só a ideia de estar neste cenário me fez entrar num desespero tal que sinceramente preferia morrer também.
Que eu saiba Chico Buarque não perdeu nenhum filho e mesmo assim soube traduzir a estrago da perda em sua música Ó Pedaço de Mim, Ó Metade Arrancada de Mim, Leva o que há de ti, que a saudade é o pior tormento, é o pior que o esquecimento é arrumar o quarto do filho que já morreu.
Viviane se foi. Com ela foram pedaços da mãe, irmã, pai, avós, namorado e todos aqueles jovens desnorteados no seu velório. Meu olhar só enxergava crianças vivendo a primeira grande perda de suas vidas. Todas, sem exceção, precisavam de colo.
Um amigo querido definiu vem a perda de um filho “Se voce perde um companheiro fica viúvo. Um pai, órfão. Mas a perda de um filho não há palavra que defina”.
O que vai ser da vida desta família? Como continuar respirando e levantando da cama toda manhã? Não consigo imaginar.


Nenhum comentário:

Postar um comentário