segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Habilitação é um porte de arma

Na semana passada enquanto trafegava pela Marginal, gravei no meu celular um tema para abordar em uma crônica, a carteira de habilitação nada mais é que uma arma.
Por uma infeliz coincidência, hoje li a matéria sobre um psicopata que atropelou centenas de bicicletas em um passeio realizado em Porto Alegre na última sexta-feira. Um vídeo mostra todos os detalhes do que aconteceu e está rodando pela Internet e pelas redes sociais no mundo inteiro. Centenas de testemunhas assistiram a barbaridade. Mais de 20 ciclistas machucados. Uma guerra a céu aberto. Repulsivo e indignante.
Este absurdo reforçou minha teoria de que a habilitação nada mais é que uma autorização para uso de arma. Mal conduzido, o veículo se transforma numa arma letal.
Ninguém esta livre de envolver-se em um acidente. Faz parte da vida e pode acontecer com qualquer um que dirija. Dirigir bêbado, em alta velocidade, ultrapassar em locais proibidos e falta de gentileza são os ingredientes ideais para uma mistura bombástica.
Para guiar em São Paulo, entre tantas outras cidades, não basta ter carta de motorista nem fazer a renovação do curso aos 40 anos. É preciso coragem, muita paciência e responsabilidade.
A diferença entre andar numa montanha russa da Disney e na 23 de maio, em qualquer horário, é que na montanha russa depois de alguns minutos de profundo terror, todos sabem que vão sair sãos e salvos. Passeio de masoquista para uns, pura adrenalina para outros
Na Rebouças, Marginais Pinheiros e Tietê, Radial Leste já é outro assunto. Se precisamos mudar de faixa para pegar uma saída, é necessário começar uma novena. O número de motos que circula entre as 4a e 3a faixas é assustador. Eles vão se multiplicando no meio do caminho, uma espécie de geração espontânea, em uma velocidade que mais se assemelha a um rally. Passam colados aos carros, tirando finas surpreendentes, aonde não cabe uma ameba, buzinando freneticamente para que você saia da frente. Sair para onde, meu amigo? Só se eu for abduzida.
Quando tenho o meu retrovisor quebrado, eu peço desculpas ao motoboy, afinal eu estava na sua frente. Que ousadia a minha! Considero isso uma versão light da Síndrome de Estocolmo.
Reconheço que o trabalho destes motoqueiros é insano. Parece uma gincana, ganham por hora e se não cumprem a entrega dentro do horário estipulado são cortados do quadro e perdem o jogo.
Admiro a paciência e a perseverança de profissionais que tiram seu ganha pão dirigindo neste frenesi que é o trânsito de Sâo Paulo. Não deve ser nada fácil ser motorista de ônibus, táxi, caminhão e motocicleta.
O desrespeito é geral e arquibancada. Ninguém dá passagem, palavrões de A a Z são emitidos em alto e bom som, alguns eu nem sei o significado, mas imagino pela feição de quem os vomita aos berros.
Um número considerável de motoristas de carros e motos, em sua grande maioria, não sabe para que servem as setas, nunca usam.
Estatísticas alarmantes revelam que muitos motociclistas em São Paulo dirigem alcoolizados e andam armados. A diferença para a guerra é que os soldados não tem acesso à bebida.
Já não bastasse o trânsito caótico desta metrópole, a falta de um plano diretor para atender a frota de carros que não para de crescer, ano a ano, as enchentes que causam alagamentos por todas as regiões, ainda temos que lidar com o pior inimigo - a violência gratuita.
Isso só terá fim quando acabar a impunidade.
Um caso de homícidio doloso como este não pode terminar em pizza.
Como nós podemos ajudar? Exercitando mais a tolerância e praticando a gentileza.
Na minha lista na virada do ano, um dos compromissos comigo mesma é exatamente esse. Não deixar que o trânsito decida como eu devo agir. Dar passagem sempre e não xingar nunca.
Confesso que tem sido um treino exaustivo de paciência e autocontrole, mas estou conseguindo, ao menos, nos dois primeiros meses do ano.
Marot Gandolfi









Um comentário:

  1. Puxa , desde sexta estou tão indignada com o fato que esqueço que
    do 'não sabem o que fazem' ... é ! também venho exercitando a
    paciência , complacência e todas ências que conheço.
    Agora, esse "cara" da uma vontade que nem sei... de esquecer os princípios
    e fazer ele pelo menos engolir o banco da bike com cano e tudo!!!
    ..depois fazer com que ele cuide de todos os feridos e arrume todas
    as bikes, claro , preso! Isso tem nome, 'homicídio'.
    .. triste evento, como disse uma amiga " agora é que eu vo andar
    mais ainda , só de raiva" e um bote pra dias como hoje!
    Adorei , inclusive a solidariedade!! bju
    sil

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